Teri Hall – A Linha

A linha, da japonesa Teri Hall, me surpreendeu muito durante a narrativa. Eu comecei a ler esperando demais do livro (erro que, infelizmente, eu às vezes cometo) o que me frustrou, porque o início é vagaroso e faz uma grande introdução do mundo existente na trama. Porém, a narrativa logo engrenou e eu me vi curiosa sobre muitas das coisas que aconteciam no livro, o que sempre é um indício de que a leitura vale a pena.

Rachel é uma garota que foi conservada do mundo lá fora por sua mãe, Vivian, durante toda vida. Ela mora na Propriedade, onde a mãe trabalha de governanta, e praticamente nunca sai de lá. Mas a proximidade com a Linha traz uma enorme curiosidade e atração na jovem. Só que ela nem imagina os segredos por trás da criação da Linha e nem os segredos de sua família, que a matriarca escondeu tão bem. Sua educação é feita em casa e, aos poucos, vamos descobrindo o que ela sabe sobre os Estados Unificados e o que eles têm a ver com a criação do Sistema de Defesa criado tantos anos antes.

Na trama criada pela autora, os Estados Unificados (afinal, Unificados ou Unidos não dá tudo na mesma?!) são uma nação poderosa que governa com punhos de ferro a população. Até aí nada de novo (até porque o livro me lembrou de muitos outros): Jogos Vorazes, Feios e outros tantos livros tratam do mesmo tema. Porém o que aconteceu é que o mundo estava entrando em guerra (o que também não é uma grande novidade) e uma nação vizinha estava prestes a atacar. Usando a proteção como desculpa, o Governo resolve então criar uma linha que divide os Estados Unificados para servir de barreira contra o ataque.

Claro que a ideia de criar uma barreira contra o inimigo era ótima. Só que a Linha deixava de fora várias cidades. Cidades que não foram alertadas e num belo dia a população simplesmente acordou com uma barreira elétrica invisível e impossível de ser trasposta no meio de suas cidades. Eles se descobriram abandonados por seu governo e país, e ficaram a deriva quando as bombas chegaram e arrasaram tudo que estivesse fora da Linha. Imagine que você mora em uma cidade e trabalha em outra. Num belo dia você acorda e vai para o trabalho, só que bate em um muro elétrico e não consegue ultrapassá-lo. Você entra em desespero, mas pensa que isso logo irá passar, só que não passa. Então, não mais que de repente, bombas atômicas são lançadas sobre você e todos os outros que tiveram a infelicidade de ficar do lado errado.

É mais ou menos esta a ideia que Teri nos passa durante o enredo. Tive muita pena das pessoas que foram abandonadas e pena de Rachel por não saber ou entender tudo o que aconteceu em seu país. Ela está curiosa com a proximidade da Linha e as várias lendas sobre os Outros (momento Lost do livro), que viveriam naquele outro lado. A partir de alguns acontecimentos pontuais, uma série de fatos vai chegando ao conhecimento da garota, inclusive sobre seu passado e seu pai (que está morto).

Devorei as páginas morrendo de curiosidade para descobrir mais e o final foi bem satisfatório. Por se tratar de uma série, a maioria das coisas é deixada em aberto, mas acredito que o próximo livro (Away) será ainda melhor pelo cenário novo em que ela viverá.

Os pontos negativos foram a falta de originalidade (se você ainda não percebeu o meu sarcásmo nos parágrafos acima) e a falta de descrições mais detalhadas (eu fiquei curiosa com a idade de Rachel), assim como a demora em escrever sobre a Linha e seu outro lado. É um livro que não chega perto de ser perfeito, mas que eu gostei de ler e considerei bom. 🙂 O mistério e o suspense dão um clima gostoso à leitura e eu recomendo a obra!

Avaliação (de 1 a 5):

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4 comentários (+add yours?)

  1. gabi
    Jul 05, 2011 @ 14:51:30

    Eu adoro Feios então fico com um pé atrás assim… eu não me inspirei muito sabe? Acho que se eu lesse eu ia pensar – eu já li isso?- ahah, talvez daqui um tempinho.

    Gabi

    Responder

  2. Camila
    Jul 05, 2011 @ 15:28:14

    Oi Adri,
    Bom saber mais sobre esse livro! Eu fiquei curiosa por um tempo, mas depois esqueci! Já vi que não estou perdendo grande coisa!! Prefiro gastar meu tempo lendo Jogos Vorazes… Coisa que ainda estou devendo para mim mesma!! rs…
    beijos
    Camila – Leitora Compulsiva

    Responder

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