Marlena Di Blasi – Mil Dias em Veneza

Mil dias em Veneza é um dos raros exemplos de livros não ficção que eu leio. O romance conta a história da autora Marlena Di Blasi, que viveu mais de mil dias nesta cidade que é a mais romântica e encantadora da Itália.

Confesso que eu morro de curiosidade para conhecer Veneza, porque eu amo a água e deve ser o máximo se locomover exclusivamente navegando! O livro trás ótimas indicações de lugares para se visitar e descrições detalhadas do povo e cultura veneziana. Porém, é justamente isso que me frustrou tanto no livro! Na capa existe uma citação de que a obra é um lindo romance. Mas o que eu pude perceber é que o romance lindo só pode ser da autora com a cidade, e não com Fernando, o veneziano que ela lá encontrou. Para melhor explicar minhas angústias em relação ao livro tenho que explicar melhor a história de Marlena.

Ela é uma renomada chef e crítica culinária e, por isso, sempre viajava muito à Itália. Porém, tomava o cuidado de se manter afastada de Veneza. A pesar do que todos diziam sobre como a cidade era encantadora e ela iria se apaixonar, ela relutava bravamente em conhecer o local. Talvez porque não quisesse se apaixonar pela cidade, talvez por achar que era muito clichê ser mais uma romântica assumida a cair de amores por Veneza. O fato é que, por causa de sua profissão, em uma de suas viagens ela não teve mais como adiar e, ao botar os pés na cidade, imediatamente foi fisgada por sua beleza e simplicidade.

Desde então, todos os anos ela fazia uma viagem até a Itália e nunca deixava de conferir aquele belo lugar. E foi assim que, tomando um café com seus amigos ela conheceu um veneziano tímido e lindo que disse ter se apaixonado a primeira vista por ela em sua viagem passada e que agora que a tinha reencontrado não mais a deixaria partir.

Tenho que confessar que a história é muito romântica e é lindo saber que foi real. Porém o livro é muito maçante, com parágrafos intermináveis que eu senti como se não levassem a lugar algum. Somos apresentados a toda esta história logo no começo e, no decorrer da trama conhecemos as dificuldades de comunicação, a viagem definitiva de Marlena para a Itália e o cotidiano dos dois. Mas parecia que o livro não avançava em direção alguma e terminei com a sensação de ter sido uma leitura que não me trouxe quase nada de útil além de uma história bonita, receitas que eu sei que nunca farei por conterem ingredientes que nunca ouvi falar e descrições de uma bela cidade.

Para alguns, isso já é o suficiente em um livro. Mas, para mim, foi interessante perceber o quanto eu aprendo mais, me interesso mais e aproveito mais uma estória sobrenatural ou um romance de mulherzinha do que uma obra baseada em fatos reais.

Aliás, aproveito aqui para expressar a minha indignação com as pessoas que menosprezam este tipo de leitura e a consideram inferior. Não tem algo que me irrita mais do que ignorarem ou desconsiderarem o fato de eu estar lendo só porque não é algum livro de Tolstoi ou Dostoievski. Porém, é engraçado perceber quantas coisas eu aprendo sobre tudo, sobre cultura, política, ciência e vários outros temas apenas lendo livros que são considerados modinhas ou incultos. Várias vezes já fui questionada sobre diversos temas complexos ou diferentes que soube responder com perfeição e fui indagada sobre como sabia. E geralmente é porque de alguma forma, algum livro que eu li me ensinou sobre isso.

Por isso, vale sempre ressaltar que qualquer forma de leitura é válida, que ler é o melhor dos exercícios mentais, te acrescenta muito mais vocabulário, facilidade em se expressar e se comunicar, te abre portas para todos os lugares do mundo e que tudo é possível quando se está viajando em uma boa leitura.

E, voltando a falar de Mil dias em Veneza, recomendo esta obra para um público mais maduro, que irá entender melhor as situações que a autora viveu e suas dificuldades no amor. No mais, fica a dica de não confiar sempre em tudo que está escrito nas capas, abas e contra-capas dos livros!!!

Avaliação (de 1 a 5):

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4 comentários (+add yours?)

  1. gabi
    Jul 07, 2011 @ 17:35:19

    Não me senti inspirada para ler… Nem um pouco

    Gabi

    Responder

  2. Camila
    Jul 14, 2011 @ 11:38:41

    Oi Adri,
    Graças à sua resenha, esse é um livro que não colocarei na minha estante!! hahahaha Bom, mas acho que se lesse a sinopse já não colocaria mesmo!! rs… Isso porque eu não gosto muito de histórias reais! Fico agoniada de pensar que alguém realmente viveu as coisas que eu estou lendo! Me sinto um pouco invasora da vida alheia! Eu sei que não tem nada a ver, mas é uma mania boba!! rs…
    Gostei muito do que você escreveu sobre pessoas preconceituosas! A verdade é que quem perde muito da vida são elas!!
    Beijos
    Camila – Leitora Compulsiva

    Responder

    • Mundo da Leitura
      Jul 14, 2011 @ 12:55:25

      Hehehe, eu também não sou muito chegada em histórias reais, mas isso é porque elas nunca perecem ser tão lindas quando as de ficção! Entendo o que você quis dizer, é mesmo estranho ficar sabendo de acontecimentos da vida dos outros de forma tão íntima… Quanto as pessoas preconceituosas, você disse tudo, quem perde são elas mesmas 😉

      Beijos

      Responder

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