Carole Matthews – A Dieta das Chocólatras

Este é o livro de Janeiro do Desafio Literário 2012, cujo tema era gastronomia. A Dieta das Chocólatras é a sequência de O Clube das Chocólatras, chick-lit que li no ano passado e AMEI!!!

O livro começa exatamente onde terminamos o outro, assim continuamos acompanhando a vidas dessas quatro mulheres unidas pelo amor ao chocolate. A narradora ainda é Lucy Kincaid, a mais divertida de todas as personagens!! Ela terminou o outro livro com um belo romance em mãos, mas nesta sequência acaba percebendo que a vida não é um mar de rosas.

Lucy é aquela típica personagem chicklitiana que me dá nos nervos diversas vezes. Mesmo sabendo que está fazendo a coisa errada, ela persiste na burrice, o que as vezes me fazia querer entrar no livro e chacoalhar a moça.

As outras integrantes do Clube também não fogem à regra. Autumn, apesar de ter resolvido a questão amorosa, agora enfrenta o drama de apresentar à família extremamente conservadora o seu namorado negro, pobre e que não joga golfe!!! E ainda temos a volta do irmão, dependente químico, Richard para assombrar ainda mais a vida da moça, prejudicando seu namoro.

Chantal, a maníaca por sexo, deseja profundamente restaurar seu casamento. Mas essa não é uma tarefa simples, afinal traição demora para cicatrizar… Ela e Ted tentam dar um rumo ao casamento, mas ele quer filhos e ela, não. Mas será que depois de tudo que aconteceu ela realmente não tem esse desejo? Isso é o que o leitor vai acompanhando e descobrindo aos poucos.

Já Nadia, para mim, foi quem teve um drama mais pesado. Seu marido era tão viciado em jogo que quase perdeu a casa, mas agora depois de uma separação ele parece estar mudado e ela decide dar uma chance ao casamento. Porém, como eu disse, nunca é tão fácil assim superar um vício…

Essas são as chocólatras, mulheres com muitos problemas e motivos para chorar, mas que encontram no Paraíso do Chocolate um motivo para voltar a sorrir. Unidas pelo amor à este doce único, elas se ajudam, prosperam e fazem votos de amizade eterna.

Como no livro anterior, somos colocadas por dentro de todos os tipos, marcas e sabores de chocolate possíveis. Alguns eu pude reconhecer, pois são internacionais, outros, só indo para os EUA para saborear!!!

Este livro, apesar de ter temas bastante pesados, é uma obra leve, descontraída e muito divertida. Você pode gargalhar horrores com os diálogos das personagens, com o casal gay que administra a chocolataria, e principalmente com Lucy, a mais desastrada e indecisa de todas.

Com certeza recomendo muito o livro, quem gostou de O Clube das Chocólatras ou de livros parecidos, com certeza irá amar!

Avaliação (de 1 a 5):

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Carol Sabar – Como (quase) namorei Robert Pattinson

Antes de começar a resenha, tenho duas considerações a fazer. A primeira é bem simples: eu gostei desse livro. A segunda é um pouco mais complexa: tenho visto muitos casos de resenhas a respeito de livros brasileiros que, como irei dizer, suavizam todos os erros, problemas ou aspectos negativos da obra em questão. Eu concordo que devemos apoiar os escritores nacionais, que eles têm menos incentivo para publicação, que as editoras não revisam tão bem, etc. Porém, em primeiro lugar vem o compromisso que todo resenhista tem com vocês, leitores, de escrever com sinceridade a sua opinião sobre qualquer livro. Isso independe de nacionalidade, gênero, ou qualquer outro fator e fico muito triste quando vejo tantos casos de blogueiros sendo desrespeitados por dar sua simples opinião.

Como podem ver, refleti bastante sobre o assunto antes de vir aqui escrever essa resenha. E isso tem um motivo, claro. Estou lendo tantos comentários maravilhosos, derramados em elogios sobre a perfeição desta obra de Carol Sabar, que fiquei bastante preocupada quando percebi que tudo que eu precisava e pretendo dizer aqui pode vir a ser mal interpretado. Mas enfim, não há nada que eu possa fazer além de escrever o que achei do livro.

Como (quase) namorei Robert Pattinson é um livro que eu não leria em um primeiro momento. O título me remeteu àqueles livros que embarcam na onda de grandes sucessos e que não tem nenhuma história nova para contar. Porém, depois de ver uma mobilização tão grande da blogsfera, tantos elogios e conhecer a sinopse e do que se tratava a história, fiquei bastante empolgada para lê-lo.

Essa é a história de Duda, uma jovem de 19 anos que é super fã da saga Crepúsculo. Ela é, como se autodenomina, uma Crepuscólica, que vive e respira para essa história de vampiros. Infelizmente, ela acaba deixando de lado a vida real por causa disso. Quase não sai com seus amigos e não namora porque nenhum cara que conhece pode chegar aos pés da perfeição do Sr. Robert Cullen ou Edward Pattinson.

Isso é uma coisa que começou a me incomodar logo no início do livro, Duda mistura o personagem divinamente construído por Stephenie Meyer com o ator de Holliwood que, na minha singela opinião, não tem nem ¼ da beleza e maravilhosidade do Edward no papel.

Não há como negar que a protagonista é muito engraçada e torna a trama super divertida e até hilária em certos pontos. Duda é muito fanática e tem diversos diálogos internos surpreendentes. Um exemplo de sua mente fértil é o capítulo inicial do livro, em que ela está em uma praia deserta, com Robert Pattinson passando bronzeador em suas pernas e uma “caipirosca de limão geladinha” ao lado.

O livro segue contanto sobre o intercâmbio de Duda, sua irmã e mais duas amigas, que moram juntas e vão passar uma temporada em Nova York para estudar inglês. Lá ela acaba fazendo novos amigos, e entre ele está o fofíssimo Pablo. Ele é um amor de pessoa, um gato e disposto a tudo para conquistar o coração de Duda. Mas não importa o quanto ele se esforce, ela só pensa no personagem-ator de Crepúsculo.

E assim que ela conhece seu vizinho e descobre que mora ao lado de um sósia praticamente idêntico à RP, toda a razão vai por água a baixo e ela só pensa em Miguel, Miguel, Miguel.

Apesar de estar na cara que tem algo errado com o gato, possuidor de um Volvo prata, devo dizer, Eduarda não se importa nem um pouco. Deixa de lado Pablo e as amigas e só se preocupa mesmo em encontra-lo (pois ele está sempre fora) e em estar em sua companhia.

Logicamente essa fissuração garante boas risadas ao leitor e muitas situações divertidas. Duda é daquelas personagens que sempre mete os pés pelas mãos! E como o livro é bem extenso, podem contar com várias reviravoltas, surpresas e fortes emoções.

Isso é um quesito que poderia ter sido melhorado no livro. Achei que ficamos muito tempo dentro da cabeça de Duda, acompanhando suas ideias mirabolantes. Por vezes virei umas oito páginas e não saía das divagações dela, o que tornou a narrativa extremamente maçante nesses pontos. E como não sou do tipo paciente que aguenta várias reflexões que não levarão a lugar nenhum, lá vai a Adriana fazer uma leitura dinâmica (só correndo os olhos por cima do texto até chegar em algum diálogo).

O outro ponto que eu mudaria trata-se da história em si. Acho que a Carol quis fazer um contraponto entre Edward – Miguel e Pablo – Jacob. Entretanto não acho que isso tenha funcionado e não conseguiu me convencer nem um pouquinho. Eu, sinceramente, não consegui entender e muito menos gostar do final.

Achei que ficou tudo muito sem sentido nos últimos capítulos, como se as cenas e acontecimentos fossem jogados no livro sem propósito. Não sei se conseguirei me expressar claramente, mas senti como se a trama tivesse se perdido no meio de tanta enrolação e problemas apresentados. É raríssimo eu conseguir perceber esse tipo de coisa, tanto que minhas avaliações sempre puxam pro lado do positivo neste tipo de gênero literário. Mas não tem como eu não falar francamente aqui se terminei o livro com essa opinião gritanto em minha mente.

Isso não quer dizer que eu não tenha gostado do livro, volto a dizer. Foi uma leitura muito gostosa e leve, mas não conseguiu passar de um bom na minha humilde avaliação.

Não posso deixar de dar os parabéns à Editora Jangada pela capa e projeto gráfico do livro, que ficou uma beleza. Não consegui encontrar muitos erros durante a leitura e as páginas são amarelas com letras bem agradáveis ao leitor (nada daquelas letras miudinhas). Também preciso dar os parabéns à autora, que conseguiu lançar um livro totalmente inovador no gênero e que demonstra muito talento da parte dela. Apesar de não ter amado o livro, ficou claro que Carol Sabar pode lançar muitas obras de sucesso ainda, pois tem o dom de escrever bem um estilo bastante difícil e disputado, o chick-lit.

Considerações a parte, só me resta recomendar a obra aos amantes do gênero e a todos que estão na dúvida e desejem tirar suas próprias conclusões.

Avaliação (de 1 a 5):

Alyson Noël – Estrela da Noite

Este é o quinto e penúltimo volume da série Os Imortais. Para acessar as resenhas dos volumes anteriores, clique sobre os títulos.

Atenção, esta resenha pode conter spoilers para quem não leu os demais livros da série.

Se você acompanha o blog assiduamente, já sabe da minha relação de amor e ódio com essa série e com a autora Alyson Noel. Depois de ler os quatro volumes e não sair da enrolação suprema, quase desisti de saber o final da saga de Ever e Damen. Mas, como eu sou brasileira e não desisto nunca, assim que surgiu a oportunidade, escolhi no Skoob Plus Estrela da Noite e Infinito (o próximo e último volume) para receber.

O quinto livro começa naquela mesma situação de sempre. Ever fez algo que deixou alguém irritada e prestes a matá-la. Dessa vez, Haven, a ex-melhor amiga e atual inimiga imortal número um de Ever está destinada a buscar vingança pela morte de Roman e jurou destruir todos que cruzem o seu caminho.

Mas antes do concretizar seu plano maléfico, Haven quer se tornar a líder da popularidade no colégio. E isso não é difícil de conseguir. Agora que ela tem beleza e poder, consegue atrair séquitos por onde quer que passe!

Francamente, Alyson Noël, que trama fraca você conseguiu arranjar para colocar mais um livro praticamente inútil nessa série, que só não é mais arrastada que House of Night!!! Haven é a típica criancinha a quem foi dada mais liberdade do que o necessário. Ever, cujas atitudes eu achei que melhorariam depois dos conhecimentos adquiridos em Chama Negra, agora mudou a ladainha de “fiz muita burrada e morro de culpa” para “sei que sou poderosa, tenho tudo sobre controle e confio totalmente em mim”, ainda não consegui definir qual é a mais chata.

Apesar de ter acrescentado algumas coisas novas poucas, continuo não sabendo para onde a trama vai. O final já era o que eu esperava, embora eu tenha ficado satisfeita pois pelo menos o que eu queria aconteceu.

Fico muito em dúvida na hora de classificar estes livros. Mas acho que a obra merece 3 estrelinhas, não foi melhor nem pior que o anterior. Continuo achando Terra de Sombras o pior da série e acho que só indico estas obras para quem fã do gênero YA , ou para quem já leu algum dos livros e quer saber como tudo isso termina assim como eu!

Avaliação (de 1 a 5):

Siobhan Vivian – Não sou este tipo de garota

Gostei desse livro mais do que esperava!

O bom de iniciarmos uma leitura sem qualquer expectativa (como no meu caso com Não sou este tipo de garota), é que a probabilidade de nos surpreendermos positivamente é enorme! Mesmo que seja uma surpresinha, é sempre melhor do que nada, não é mesmo?!

No meu caso, li tanto resenhas positivas quanto negativas da obra em questão, que me fizeram ter curiosidade o suficiente para pedi-la à editora. Achei, falando francamente, que tenderia para o lado das resenhas negativas, pois o livro parecia ter uma proposta rasa e muito juvenil.

Porém, como já disse, acabei sendo levada pela narrativa e terminei o livro super rápido. Natalie Sterling me conquistou como protagonista e a trama foi bastante envolvente.

Conhecemos a história desta garota, que não é uma típica estudante do ensino médio. Natalie, muito pelo contrário, tem ótimas notas, almeja um futuro de sucesso, estuda bastante e o principal: não está nem aí para garotos.

Como o próprio título já diz, ela não é AQUELE tipo de garota. Entretanto, o principal questionamento do livro é até onde podemos dizer que o comportamento das jovens nessa fase da vida é errado.

Natalie começa seu último ano letivo e se depara com uma caloura de quem foi babá. Spencer tem um comportamento extremamente vulgar, e o justifica dizendo que não é correto que a escola iniba seus instintos sexuais e mais um monte de baboseiras.

Natalie tenta ajudá-la de várias formas, mas acaba se vendo do outro lado da moeda. Se na superfície ela tenta mostrar a todos o quanto é boa moça e agradar aos professores, por trás da aparência ela acaba se apaixonando por um garoto que vai contra tudo que ela acredita.

Connor é um dos populares da escola. Muito cobiçado pelas garotas, ele não tem quase nada a ver com Natalie. Apesar de ser rico, não deseja fazer faculdade e não pode ter com ela os altos papos cabeça tão desejados pela moça. Mesmo assim, a paixão não escolhe hora e nem lugar para aparecer…

Assim o ano vai passando e a protagonista não sabe o que fazer. Ela fica cada vez mais distante da melhor amiga, não consegue se dedicar as atividades extracurriculares e está cada vez mais próxima de Connor.

Acho que o slogan do livro “a linha entre o certo e o errado foi distorcida” se aplica muito bem à obra. Eu, pessoalmente, refleti bastante durante a leitura sobre o que considero certo e errado.

Ficou bem óbvio que a autora quis passar a idéia de que se focar somente nos estudos e julgar mal quem não faz o mesmo é uma coisa errada. Porém, não sei se consigo concordar com essa premissa. Sim, acho que devemos nos divertir durante a juventude e sim, acho que algumas atitudes da Natalie no livro expressam bem isso. Mas, me questiono se não é por incentivar os jovens a pensar dessa forma que as coisas estão como estão. Eu saí do ensino médio não faz muito tempo e só posso dizer que as coisas estão feias por lá.

Quem sabe se o mundo não abrigasse um pouco mais de Natalies não tivéssemos mais jovens empregadas, mais gente buscando se profissionalizar e não se contentando com pouca coisa.

Me lembro bem que, na minha escola, o objetivo de todos era sempre ter a nota da média. Apenas o suficiente para passar de ano. Enquanto isso, meu objetivo sempre foi a nota máxima. Obviamente, nem sempre eu conseguia, mas isso não quer dizer que eu iria almejar menos do que um 10!

Enquanto lia, pensava em tudo isso, e mesmo torcendo por Connor e Natalie, não pude deixar de analisar a mensagem que Siobhan Vivian quis passar com o livro.

Enfim, além da história legal, o livro rendeu uma bela reflexão, o que é sem duvidas estimulante e já faz Não sou este tipo de garota valer a pena. Recomendo!

Avaliação (de 1 a 5):

Diana Peterfreund – Tap & Gown

“Por meio desta eu confesso:

não resisti à curiosidade e li o livro em e-book!”

Sim caros leitores, essa história é tão viciante que eu não tive outra opção! Em um belo dia eu estava viajando nos meus arquivos do computador quando me deparei com vááááários e-books que eu havia baixado há muito tempo e que, depois de começar o blog e me conscientizar do ganho que é ter o livro impresso, nunca mais tinha lido. Entre estes e-books estavam inúmeros livros que eu acabei comprando, mesmo tendo as cópias digitais em casa. No meio deles, uma pastinha chamada Sociedade Secreta, que eu nem sabia da existência, me chamou a atenção! Quando abri, lá estavam, reluzentes, os arquivos dos quatro livros!!!

Eu sei, cedi à tentação! Mas tentem entender: eu tinha acabado de ler Ritos de Primavera e estava louca pra saber o que ia acontecer! Ainda fiquei adiando por duas semanas, mas no fim abri o PDF e fui à luta (ou à leitura se preferirem)!

Pode conter spoilers para quem não leu os volumes anteriores. Para acessar as resenhas dos mesmos, clique sobre os títulos abaixo:

A formatura de Amy Haskel está chegando, e com todas as provas, trabalhos e sua vida intensa como Coveira, ela ainda tem que arranjar tempo para dedicar ao seu namorado! Isso mesmo, o improvável aconteceu e Bogaboo, a safadinha, finalmente sossegou com um cara legal que gosta dela de verdade (e que eu amo, por sinal).

Mas o mote central do livro, além do romance logicamente, está nas convocações do C177 para o próximo clube da Sociedade. Cada um dos membros deve indicar quem serão seus substitutos e formarão o novo grupo de Coveiros da Rosa & Túmulo. Porém, Amy tem uma difícil escolha entre os neófitos disponíveis. E ela se vê em um dilema mortal: convocar uma pessoa legal que vai trazer algo útil à R&T ou ceder à pressão dos patriarcas e convocar um legado (legados são filhos de membros da Sociedade, só para vocês saberem)?

E essa não é a única dificuldade porque depois de tantos escândalos envolvendo a Sociedade no último ano, as chances de que a resposta à famosa pergunta “Rosa e Túmulo, aceite ou rejeite” sejam negativas são grandes!

Em meio a todo esse caos, Amy tenta decidir que rumos sua vida levará agora que a faculdade está se encerrando. Ela acredita que não tenha futuro ao lado do namorado, mesmo estando clara sua paixão por ele (e a reciprocidade da mesma).

As cenas fofas compartilhadas pelo casal são lindas, eu amei! Mas é claro que nem nesse âmbito a vida da Srta. Haskel é um mar de rosas! Muita confusão se desenrola ao longo do livro, com direito a vários ex atrapalhando o caminho dos dois e muito mais…

Tap & Gown, até onde vai o meu conhecimento, é o último volume dessa série maravilhosa escrita por Diana Peterfreund e só tenho a dizer que encerra de forma magnífica a trama.

Com certeza recomendo Sociedade Secreta à todos que desejem um leitura divertida, sensual, envolvente e cativante! Ótima pedida de YA book, espero que a Galera Record tome vergonha na cara e lance este livro ainda esse ano!!!

Avaliação (de 1 a 5):

Marian Keyes – A Estrela Mais Brilhante do Céu

Este livro faz parte do Desafio Realmente Desafiante, para ver a lista completa do desafio, clique sobre ele.

Bem Marian Keyes salvou meu mês de janeiro por ter nascido na Irlanda, que graças a Deus é um país EUROPEU, hehehe! Todo o ano, eu, assim como milhares de outros leitores super fãs, aguardo ansiosamente a chegada de dezembro para ler o mais novo sucesso dessa escritora maravilhosa!!!

Por ser a primeira resenha de um livro dela que faço para o blog (embora eu já tenha comentado que meu livro favorito é Tem Alguém Aí?! diversas vezes), quero contar minha história de amor com essa irlandesa genial que nos presenteia com tantas obras lindas.

Um belo dia, quando eu ainda era criança, ou uma pré-adolescente se vocês preferirem, não sei por que cargas d’água eu tinha bastante dinheiro na minha bolsinha de contas. Quando digo bastante quero dizer uns R$ 80,00, que era uma fortuna para uma pré-adolescente que não fazia nada da vida a não ser estudar. Mas como sempre acontecia nestas raríssimas ocasiões, eu fui na livraria da universidade (em que atualmente estudo e onde minha mãe sempre trabalhou, então era normal eu perambular por lá) e me pus a analisar as estantes. Lá no fundo, um livro na seção de adultos me chamou a atenção pela capa rosa muito fofa.

Eu já tinha lido praticamente tudo da seção infantil e infanto-juvenil, então me peguei a analisar o livro gigante (mais de 500 páginas), com um título curioso: Casório?! Não deu outra, levei-o para casa (mesmo pagando R$ 60,00) e foi amor a primeira página.

O livro era maravilhoso e imediatamente soube que precisava ler tudo que Marian houvesse lançado. Para minha alegria, a biblioteca da supracitada faculdade tinha mais uns 3 ou 4 livros dela, sendo que comecei pelo mais famoso e primeiro que ela escreveu: Melancia. Depois dele vieram Férias (o segundo maior amor do meu coração), Sushi, Los Angeles e É Agora… Ou Nunca. Uns eram ótimos, outros muito bons, mas tudo que eu sabia é que suas histórias me deixavam alegre, me davam esperança e motivação. Aprendi cedo com os livros dela a reconhecer problemas terríveis que assolam nossa sociedade, mas tudo isso foi um aprendizado muito válido e me fez amadurecer bastante.

E hoje, depois de ler todos os livros publicados por ela, venho resenhar A Estrela Mais Brilhante do Céu, o mais original até o momento. Começamos a obra conhecendo o número 66 da Star Street, um prédio de apartamentos com moradores muito diferentes. Somos apresentados a eles por um “ser”, que o leitor não sabe do que se trata até o fim do livro. Seria um fantasma, um espírito, a morte? Não sabemos, mas podemos acompanhar suas divagações enquanto ele tenta entender aquele grupo curioso de pessoas e chegar à conclusão de qual deles é o motivo de sua visita.

Ao longo do livro temos uma contagem regressiva, 61 dias é o prazo do “ser” misterioso, mas o que vai acontecer no final fica em suspenso. Assim, acompanhamos a vida de Matt e Maeve, um casal que tem seus corações batendo no mesmo compasso, embalados pelo amor compartilhado logo de cara pelo leitor. Mas será que seria mesmo amor o que acontecia com aquele casal?

Também conhecemos Katie, uma mulher bonita, que acaba de entrar na fase dos 40 e que namora um workaholic que nunca tem tempo para ela, Conall. Ele é um verdadeiro sem noção na maior parte do livro e muitas vezes me chocava com suas atitudes. Porém, confesso que dei boas risadas com seus esquisitices!

Também temos um tempero extra no livro: Lydia, que aluga o apartamento com dois poloneses, Janco e Andrei. Ela é uma pimenta, mas tem motivos muito fortes para o comportamento explosivo, como vamos descobrindo ao longo das páginas.

E por fim, mas muito importante, conhecemos Jemima, uma velha senhora de 80 anos que vai receber seu filho Fionn para morar um tempo com ela. Seu cachorro Rancor é quem vinha lhe fazendo companhia e não gosta nada, nada da chegada do intruso. Jemima e Fionn tem uma história muito curiosa, enquanto este último foi um personagem bastante difícil de decifrar. Achei que ele até ficou meio deslocado no fim do livro, como se não tivesse espaço para sua história.

Estas pessoas, que na superfície parecem comuns ou com vidas simplórias, vão as poucos desvendando segredos e nos mostrando tanto a beleza como o horror de suas vidas. Eu fiquei simplesmente tocada com o livro.

Sabem aquela leitura que você termina sorrindo, que te deixa feliz e com esperança de dias melhores? Este livro é totalmente assim! Não é a toa que Marian cita na contracapa sua felicidade com a mensagem que passou no livro.

Eu recomendo totalmente, estes são livros considerados chick-lits, mas que abordam temas muito mais profundos e complexos! Em A Estrela Mais Brilhante do Céu você irá sorrir e chorar, se surpreenderá com a força da vida e com a fé no amor e verá que todo o problema sempre tem uma solução (mesmo que esta seja um bloco de gelo caído do céu, hehehe)!

Para finalizar, meus livros preferidos da autora continuam sendo Tem Alguém Aí?! e Férias! mas A Estrela Mais Brilhante do céu com certeza vem logo após estes, uma obra mágica que você deve ler!

Avaliação (de 1 a 5):

Ken Follett – Queda de Gigantes

Queda de Gigantes, romance de audaciosas 912 páginas, é o primeiro livro da trilogia O Século. Conhecemos através dele os acontecimentos do primeiro terço do século XX, cujo mote central está na Primeira Grande Guerra (ou Primeira Guerra Mundial, como passou a ser conhecida depois) e também na Revolução Russa, que pode ser considerada uma das consequências da guerra.

Bem, vocês já devem ter a ideia clara em suas mentes leitoras de que este é um livro para pessoas que apreciem profundamente a história mundial. Quem não gosta deste assunto, não gostava ou gosta, embora duvide muito que quem está na escola vá ler o livro dessa matéria, dificilmente conseguirá chegar às duzentas páginas, que dirá ao final da obra.

Eu, por outro lado, sempre fui fã do assunto, principalmente a parte que diz respeito à história moderna: os detalhes das Grandes Guerras sempre me fascinaram. Embora não goste de gravar datas, saber como foi que as coisas se sucederam é extremamente satisfatório para minha mente curiosa.

O fato de ter mais de 900 páginas não quer dizer que o livro é uma narrativa monocórdia e exaustiva dos fatos da guerra, muito pelo contrário. De forma brilhante, devo salientar, o autor conseguiu contar uma série de fatos relevantes: os detalhes históricos e muitos  protagonistas reais, envolvendo-os em um romance ficcional que retrata a vida de cinco famílias.

Na Grã-Bretanha conhecemos a família Williams. O pai é um sindicalista, o filho, Billy, trabalha em uma mina de carvão e a filha mais velha, Ethel, trabalha na casa do conde Fitzherbert, dono das terras onde eles moram.

Também acabamos por conhecer a família Fitzherbert, cujo patriarca, o conde, tem uma crença profunda na imutabilidade das classes sociais. Para eles os pobres sempre foram e sempre serão inferiores. Ele é casado com a chatíssima princesa Bea, uma russa que tem tanta beleza quanto frieza em seu coração. Em contraponto à eles, e para salvar a família na minha opinião temos a irmã do conde, uma jovem feminista, que defendo os direitos das mulheres ao voto e cuida de um programa que assiste mães solteiras em Londres.

Nas ruas de Moscou conhecemos Grigori Peshkov, um russo que tem o sonho de ir morar na América arruinado pelo seu irmão inconsequente, Lev Peshkov. Forçado a ficar em seu país, ele acaba sofrendo as consequências dos dias difíceis que estão por vir, enquanto Lev continua ainda mais irresponsável nos Estados Unidos.

É deste país que vem Gus Dewar, assessor do presidente Woodrow Wilson. Ele é um jovem que terá muita influência sobre os acontecimentos futuros, e acompanhamos suas experiências tanto no campo diplomático quanto na vida pessoal.

Para finalizar, da Alemanha, cujo ponto de vista não poderia faltar por motivos óbvios, vem Walter von Ulrich, um jovem idealista, cheio de sonhos e desejos que estão prestes a ser adiados (ou destruídos) pela guerra.

Cada um deles, seus familiares e pessoas próximas, acabam nos contando suas histórias. Conhecemos seus sonhos, medos, desejos mais íntimos e mergulhamos em uma intrincada rede que acaba por conectá-los em um dos eventos mais marcantes e tristes da história da raça humana.

Como pudemos chegar ao ponto onde o orgulho, puro e simples, arrastou milhões de pessoas para a morte cruel e sangrenta, sem honra, sem motivo e sem explicação?

Ken Follet, além de nos dar uma aula de história cuja maioria dos detalhes eu já conhecia nos apresenta personagens cativantes que poderiam muito bem ter existido naquela época. Muitos deles me deram esperanças de que atrocidades como a das Grandes Guerras jamais ocorrerão novamente. Porém, nós humanos, sempre surpreendemos com novos atos injustificados e estúpidos, na maioria das vezes. No final do livro os próprios personagens dizem ter certeza de que não deixariam outra vez uma guerra como aquela acontecer (pensamento que eu tenho certeza que foi real para quem viveu aqueles dias) e nós sabemos muito bem que foi possível sim, apenas alguns anos depois, acontecer coisa ainda pior!

Eu, particularmente, estou muito curiosa para ler o próximo volume, que ainda não foi lançado, pois a Segunda Guerra Mundial é ainda mais fascinante e triste que a primeira. O personagem Adolf Hitler sempre me impressionou muito. Também estou curiosa para saber se o autor, como todo bom americano, irá jogar a culpa toda em cima deste homem. É um crime dizer que apenas uma pessoa demoveu outros tantos milhões a se matarem, embora seja inegável sua grande contribuição. Acho, porém, que o autor não irá fazer tal coisa, pois em Queda de Gigantes ele demonstrou uma imparcialidade pouco vista em obras de ficção que tratam deste assunto.

Seja como for, só tenho a dizer que amei o livro e que recomendo muito para quem, além de conhecer uma história rica e mágica de amor, traições e ganância, quer ter uma noção de como um dia já fomos longe na busca por poder e como podemos evitar que isso aconteça novamente.

Um ponto importante a ser ressaltado é a edição impecável da editora Sextante. Não foi possível a mim encontrar um erro sequer durante toda a leitura, fato que é louvável e merece os devidos créditos.

Avaliação (de 1 a 5):

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