Katarina Mazetti – Amor Fora de Hora

Essa capa fofa, que logo me chamou atenção e me fez desejar o livro, foi o anúncio de que era muito possível eu não gostar da obra.  Explico: logo que peguei Amor fora de hora para ler, comecei a reparar nos pequenos detalhes da capa (a essa altura vocês já sabem que sou praticamente paranóica com relação a todo tipo de detalhe, coisas fora de proporção, ordem ou simetria, o que é uma característica marcante dos arquitetos, então me perdoem, mas estou sendo preparada diariamente para isso).

Tudo ia muito bem, a foto da capa tinha uma idéia legal para passar, as cores estavam bonitas… Mas aí os braços do cara que estão agarrando a moça começaram a me incomodar. Minha mente não aceitava aquelas mãos tão próximas à bunda da garota. Por que não segurar a cintura ou então as pernas? Eu sei, paranóia minha! Então, comecei a analisar melhor a sandália da garota sou mulher né, sapato é um outro vício e fiquei horrorizada. Sério, deram uma sandália no mínimo uns três números maior do que a modelo calça!!! Ela ficou com uma enorme parte da sandália sobrando na frente! Passei a detestar a capa depois disso… Que falta de cuidado ao tirar uma foto. E uma foto que vai parar na capa de um livro!

Agora o que todas essas minhas loucuras e divagações tem a ver com a trama do livro? Elementar: um livro que começou sua história comigo com o pé esquerdo é muito difícil de me agradar. E não deu outra, terminei sentindo que havia desperdiçado meu dinheiro ainda bem que foi bem pouco nesta obra.

Amor fora de hora conta a história de Desirée, uma viúva  jovem ainda, sem filhos e sem grandes perspectivas de vida. Ela vai muito ao cemitério descarregar sua raiva no marido morto por tê-la abandonado e também para refletir sobre seu casamento, que nunca foi dos mais amorosos ou perfeito.

Quem também vai muito ao cemitério, para trabalhar, admirar e cuidar a lápide vizinha à de Desirée é Benny. Ele é um fazendeiro simples, que perdeu a mãe recentemente e não sabe lidar muito bem com sua vida sem ela. Apesar de já ser bem grandinho, Benny era extremamente dependente dela, e agora se vê num grande vazio, solitário e sem companhia que não seja a das vacas.

Um cemitério é o lugar mais improvável para que o amor aconteça, mas este é o destino dos dois, que embarcam em uma relação profunda, cheia de conflitos internos e diferenças culturais. Se você, assim como eu, leu a sinopse e saiu pensando em um lindo e maravilhoso romance, pode esquecer…

Desirée é uma mulher da cidade, acostumada a fazer apenas seu trabalho na biblioteca e nada mais. Já Benny necessita de uma mulher que preencha a lacuna que sua mãe deixou: faça comida, limpe a casa, ajude na fazenda, etc. Caramba, como esse cara é machista, não consegui me identificar com ele por causa disso. Porém, também não consegui gostar muito de Desirée, que é tão prepotente e petulante em algumas partes.

O amor dos dois tinha tudo para dar certo, mas ambos parecem fazer o máximo possível para que isso não aconteça. As páginas que são poucas passaram rápido, mesmo que eu não estivesse conectada à trama. Acabei terminando um tanto quanto frustrada. O livro não trouxe nada daquilo que eu esperava e ainda fiquei com uma capa que não posso nem ver junto à minha coleção.

Fazer o que, apostei e perdi, não queria ter comprado o livro e esta é uma leitura que não me faria falta. Não gostei do final, que ficou solto e deixou o romance todo em suspenso, queria saber o que acontece com os dois e fiquei chupando dedo.

Não recomendo se você vê problemas nos pontos que eu citei. Agora, se você é daqueles leitores que não se importa com uma narrativa mais parada, personagens que dão vontade de bater e um final não tão bom quanto você quer, leia Amor fora de hora sem medo.

Avaliação (de 1 a 5):

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Richard Paul Evans – A Promessa

Encantador e surpreendente! Estes são os primeiros adjetivos que me vêm a mente quando penso nesta obra. A Promessa é um romance lindo, rápido e gostoso de se ler, que faz o leitor acabar a última página com um sorriso enorme no rosto e com uma história fantástica na cabeça. Não é uma leitura demorada, pois a narrativa de Richard Paul Evans flui facilmente e nos conquista logo de cara.

O livro conta a saga de Beth Cardall, uma mulher com um casamento estável, uma filha linda e um emprego, se não maravilhoso, suficiente para suprir a falta do que fazer durante suas tardes na década de 90.

Entretanto, em um belo dia como todos os outros, sua filhinha passa mal na escola e desde então tem crises constantemente. Os médicos não sabem dizer o que há de errado com a menina e em meio a tudo isso eclode um gigantesco drama familiar. Beth descobre que seu marido a traiu e o expulsa de casa. Mas o fardo de cuidar da filha, que agora recebe atenção redobrada, e sustentar sozinha uma casa somente com seu emprego em uma lavanderia não é fácil. Por isso ela recebe Marc novamente em casa, mesmo que seja apenas para ajuda-la e não para uma reconciliação.

Depois de muitas reviravoltas, eis que entra em cena o nosso protagonista. Em um dia de Natal, Beth conhece Matthew. Ele é encantador e parece conhecer mais de sua vida do que ela própra. Aos poucos ela vai conhecendo melhor este estranho, fazendo despertar uma paixão linda e um amor sincero.

Agora para tudo e me diz, você está pensando que este livro é mais um daqueles romances clichês da mocinha atormentada que o príncipe do cavalo branco vem salvar, não é? Sinto lhes dizer que quem pensou assim se enganou redondamente. O livro não é nada comum, com reviravoltas e surpresas a autora me deixou de queixo caído. A Promessa não foi nada, absolutamente nada do que eu esperava. Mesmo sendo um romance lindo, logicamente, a forma com que o autor o desenvolveu foi única!

Se você não quer nenhum spoiler não leia a próxima frase. O livro pode ser classificado como sobrenatural e me lembrou muito do filme A Casa do Lago. Pronto, agora vocês já tem uma idéia melhor do que os aguarda neste livro!

Com certeza recomendo a leitura, além da edição da Lua de Papel ter ficado lindíssima (como mostrei no último Volta ao Mundo), a trama é fantástica! Um romance diferenciado que vale a pena ser lido 🙂

Avaliação (de 1 a 5):

Emily Brontë – O Morro dos Ventos Uivantes

Esse livro é um clássico. Como tal, tinha muita curiosidade em lê-lo, pois todos nós já ouvimos falar na grande história de amor de Cathy e Heathcliff. Bom, eu nem sei por onde começar a escrever essa resenha. Isso porque eu não amei o livro, aliás, nem sei se cheguei a gostar.

A história é uma viagem, loucura total! Todos os personagens parecem não bater bem da cabeça, hehehe! Agora você deve estar pensando que eu não considerei a época em que a história foi escrita, a mensagem por trás de tanta loucura, o sofrimento que todos no livro passam e que esta é um clássico, um épico sem precedentes. Eu sei de tudo isso, mas sei também que o livro não era nada do que eu esperava e que a narrativa foi lenta, me arrastei até as últimas partes, os parágrafos eram intermináveis e os diálogos, uma série de altercações em linguagem rebuscada e de difícil compreensão.

Não me levem a mal, eu adoro clássicos. Amo Érico Veríssimo, Jane Austen e poesia de Camões. Já li muitos na minha vida e sempre os admirei. Não foi diferente com este, apenas me surpreendeu porque esperava algo totalmente diferente!

Mas vamos à trama em si. Heathcliff é um jovem mestiço, parecido com ciganos e de pele morena que foi adotado pelo pai de Cathy em uma de suas viagens. Ele vai morar com a família, e conquista a admiração do patriarca, que o mima demais. Ao longo da infância e juventude, os dois formam vínculos cada vez mais fortes de amizade. Eles são rebeldes, inconsequentes e mal criados, comportamento que se intensifica com a morte do pai de Cathy, quando seu irmão assume os cuidados com os dois. O irmão odeia Heathcliff, sempre teve ciúmes do amor do pai pelo garoto, por isso transforma sua vida em um inferno.

Mesmo passando por provações difíceis, o garoto levado aguenta tudo, jurando vingança e ficando feliz em ter a companhia da garota para fazer travessuras. Mas tudo isso muda quando um acidente de percurso em uma de suas traquinagens dá errado e, por causa disso, Cathy acaba conhecendo os filhos do sítio vizinho, que são cultos e refinados. Após passar uma temporada lá, ela volta para casa meio esnobe e causa indignação no garoto. A essa altura, os dois estão apaixonados (foi o que deu pra entender, porque isso não é deixado muito claro logo de cara) e começam a brigar feito cão e gato. Não sei qual dos dois faz mais besteira por vingança e ciúmes.

A história se desenrola com uma governanta, que cuidou durante toda a vida da menina, contando a um locatário de uma das fazendas de Heathcliff como foi que ele se tornou uma pessoa tão vil e sem coração.

Ao longo do livro, vamos descobrindo mais sobre as famílias presentes e sobre os desdobramentos que o “romance” dos dois permitiu que acontecessem. Não sei muito mais o que falar do livro. É uma história de amor de pessoas que não fizeram boas escolhas e não souberam lutar pelo amor. Se você gosta de livros clássicos, pode ser que goste da trama, mas não espere um romance maravilhoso entre duas pessoas boas e que estão apenas separados pelo destino, porque não é isso que acontece.

Só para finalizar, a minha edição é esta da imagem, da editora Lua de Papel, a capa é muito bonita, mas aquela frase: “O livro favorito de Bella e Edward” não precisava né?! Afinal, o livro é um clássico, todo mundo gosta e só porque Crepúsculo fez sucesso tem que associar o livro a série?! Não gostei, hehe!!!

Avaliação (de 1 a 5):