Rick Riordan – Tequila Vermelha

Desde o seu lançamento, desejei fervorosamente este livro e o principal motivo foi a série infanto-juvenil do autor: Percy Jackson e os Olimpianos. Mas se você quer ler algo parecido com esta série, não recomendo Tequila Vermelha nem de longe! Este é um romance policial adulto, brilhantemente ambientado no Texas pelo autor.

Conhecemos Tres Navarre, um cara durão, machão e beberrão. Praticante de tai chi, este é um daqueles personagens estilo Jack Chang, que faz coisas incríveis em uma luta e bate primeiro para perguntar depois.

Tres ficou longe de sua cidade natal por 10 longos anos. Depois de ver seu pai, o xerife, ser assassinado diante da sua casa, ele foi embora esperando esquecer o trauma do passado.

Junto com ele foram as lembranças de seu amor, Lilian. Mas agora, dez anos depois, ele está de volta para assumir seu lugar ao lado dela e também para vingar a morte do pai.

Logo em sua chegada ele percebe que vai ser difícil se manter longe de problemas, e que alguém muito importante quer vê-lo bem longe das investigações, há muito arquivadas, da morte do xerife.

Pisando no calo de todo mundo que atravessa o caminho, Tres começa a descobrir algumas pistas e isso só faz com que sua vida corra mais e mais perigo. Lilian é sequestrada e ele não sabe o que fazer para encontra-la e qual seria a estranha ligação entre este sequestro e o assassinato de Jackson Navarre uma década atrás.

Com o humor característico de Rick Riordan, vamos acompanhando as desventuras de Tres Navarre em sua empreitada, rindo muito com sua ironia ácida e suas peripécias na tentativa de descobrir a verdade.

Gostei bastante do livro, porém apesar de ter lido rápido, achei a narrativa arrastada demais em certos trechos. Não gosto quando a trama se desenvolve em cima de longos parágrafos, situação que ocorreu em diversos pontos do livro.

Mesmo tendo adorado a veia policial com ação e suspense do autor, ainda achei que faltou “algo mais” para transformar a história de muito boa em perfeita. A edição da Record ficou linda, bem revisada e editada, adorei as botinhas com esporas no início de cada capítulo!

Se você não conhece o autor e deseja começar por algo mais adulto, este é o seu livro. Tequila Vermelha inicia uma série, com mais 6 livros publicados no EUA e que leva o nome do protagonista.

Avaliação (de 1 a 5):

Chevy Stevens – Identidade Roubada

Uma experiência literária marcante, comovente e espantosa. Não esperava me emocionar, e principalmente me chocar tanto com este livro! A premissa de um thriller sobre uma mulher sequestrada contando sua tragédia nas sessões de terapia não me inspirava muita confiança e apesar de ter lido diversas resenhas positivas, ainda assim me surpreendi pela narrativa fascinante e desconcertante de Chevy Stevens.

Esta é uma história muito, muito impactante. Então se você não gosta de encarar de frente toda maldade e crueldade que um ser humano se é que pode ser assim chamado é capaz, não recomendo a leitura. Mas para aqueles interessados em uma trama extremamente bem escrita, com personagens que te tocam, te despertam raiva, angústia, tristeza, solidão, e emoções a flor da pele, este é o seu livro.

Annie O’Sullivan era uma corretora de imóveis com uma vida boa e, senão feliz, próxima a isso. Tinha uma casa, um namorado e um cachorro. E não precisava aguentar a mãe todos os dias, o que era uma benção. Eu digo que ela era uma corretora porque agora não é mais nada. Nada além de uma carcaça, que anda e fala, mas que não consegue sentir nada além de medo constante.

Certo dia ao chegar ao fim de um plantão de vendas, foi abordada por um homem com jeito simpático que logo a convenceu de ser um comprador em potencial. Ela lhe mostrou toda a casa e ficou feliz pela perspectiva de fechar um negócio. Entretanto, antes de sair da casa, ele lhe agarrou pelos cabelos, colocou uma arma na sua frente e a carregou até uma van. Lá ela foi sedada e somente acordou quando já estava muito longe de casa e de qualquer possibilidade de socorro.

O Maníaco, como passou a chamá-lo, forçou-a a entrar em uma rígida rotina. Deveria ir ao banheiro somente quatro vezes por dia, em horário predeterminado, suas unhas teriam de estar sempre bem cuidadas e pintadas, as roupas que ela usaria seriam decididas por ele todos os dias, Annie deveria cozinhar, passar e limpar, sendo a perfeita dona de casa. Também teria seu banho dado por ele, e seguido do banho sempre vinha a hora do estupro e dos piores abusos.

No chalé, retirado de tudo e todos, ele a manteve encarceirada, prisioneira de sua própria insanidade, durante um longo ano. Não dá nem pra imaginar como seria ficar um ano presa com um ser tão desprezível, vil e nojento, mas que tem sua vida na palma da mão. O Maníaco é um sádico, perverso ao extremo e totalmente desequilibrado psicologicamente. Qualquer ato mínimo de Annie poderia desencadear uma crise de fúria que sempre resultava em espancamento.

O mais interessante é que, como disse anteriormente, acompanhamos a história nas sessões de terapia da protagonista. Ela fala conosco através da terapeuta e achei brilhante a forma como a autora conduziu esses diálogos. Hora somos apresentados aos fatos do passado, hora acompanhamos a vida de Annie no presente. Seus desafios não estão menores e ainda existe muito mistério envolvendo seu sequestro.

É aqui que confesso toda a minha surpresa com as reviravoltas muito bem planejadas e executadas de Chevy Stevens. A autora soube diretinho como me manter presa, ligada na história até a última página sempre curiosa com algum novo fato. Além do suspense ainda temos uma ótima veia policial, que deixou a leitura com um gosto ainda mais especial.

Comecei a ler o livro ao chegar em casa depois do trabalho e não consegui parar até concluí-lo. Ao virar a última página uma sensação muito estranha se apoderou de mim. Francamente, fazia algum tempo que um livro adulto não ficava na minha cabeça rondando e espreitando por tanto tempo. Não consegui dormir até desabafar com meu namorado sobre a história, pelo menos para ver alguém tão chocado quanto eu!

Annie é uma personagem extremamente difícil de definir, alguém com tantos problemas quanto ela não pode ser simples ou comum. E assim como o restante dos protagonistas, ela tem um desenvolvimento psicológico muito profundo e verossímil durante o desenrolar da narrativa, fato que muito me surpreendeu. É difícil falar de tanta dor e ainda conseguir ser coerente.

Outra coisa que preciso comentar é a edição da Arqueiro, que ficou excelente! Não encontrei erros de coesão ou gramática fato raro hoje em dia e achei o acabamento muito bem feito. Sobre a capa, gostei demais! Adorei o jogo de cores e acho que a ilustração passou de forma perfeita a ideia do livro. Identidade Roubada é um dos meus favoritos do ano, um estilo que com certeza irei ler mais de agora em diante, pois me agradou em demasia. Recomendo francamente o livro, uma história ágil e envolvente que irá te tocar assim como a mim!

Avaliação (de 1 a 5):

Sarah Mason – Um Amor de Detetive

Este é um clássico chick-lit, de uma autora ótima. Um Amor de Detetive é um livro cativante e promissor. Apesar de tudo isso, não o considero perfeito, algumas coisas poderia ser melhor abordadas e senti falta de romance no livro. Eu sou uma romântica incurável, e queria mais cenas cute envolvendo os protagonistas!!

A obra conta a história de Holly Colshannon, jornalista falida que escreve uma coluna sobre a morte de animais de estimação em um jornal. Claro que ela deseja melhorar seus status dentro da cadeia jornalística, escrevendo coisas mais interessantes. E quando o rapaz que cuidava da seção criminalista se demite, ela finalmente tem sua chance.

O chefe de Holly decide que seria interessante fazer uma série de reportagens sobre a vida de um detetive policial. Isso seria como matar dois coelhos com uma cajadada porque aumentaria a tiragem do jornal e estreitaria os laços deteriorados da polícia com a mídia impressa. Para esse serviço Holly terá que seguir um detetive no seu dia-a-dia e escrever um diário sobre os casos acompanhados (sem vazar informações, claro), publicando-o em sua coluna.

A tarefa da moça não é fácil, mas fica ainda mais complicada quando ela descobre que o policial em quem ela terá que “grudar” é James Sabine. Ele odeia reportes e a mídia em geral, faz questão de deixar isso bem claro para Holly e para todos que acompanham seu primeiro diálogo com ele na delegacia. A protagonista é super atrapalhada, o que o irrita ainda mais. No início do livro, achei James muito ignorante, mas aos poucos vamos conhecendo mais sobre ele e o personagem também se solta na companhia de Holly.

Falando nela, é uma figura a parte, com seu jeito destrambelhado e desatento nos faz dar altas risadas, ainda mais com todas as suas idas ao hospital!! Ela e James se aproximam bastante nos decorrer do livro, entretanto existe um grande (gigantesco) empecilho na vida dos dois. Ele está prestes a se casar e não vai abandonar a noiva por nada no mundo.

Muitas confusões, risadas e diversão te esperam ao pegar este livro para ler, é uma obra despretensiosa e super leve. A escrita de Sarah Mason é muito gostosa, não dá vontade de parar de ler, mesmo que em certos momentos haja monotonia na história. No geral é uma boa dica de chick-lit. Mas cuidado, se você gosta de romance, talvez se decepcione!

A capa é uma fofura e a edição da Bertrand é impecável. Um livro lindo que merece destaque na estante. Leia sem grandes pretensões e tenho certeza de que dará boas risadas com a personagem principal!!! Já li mais uma obra da autora, da qual gostei muito até mais do que este chamada A Vida é Uma Festa. Pretendo ler em breve Alta Sociedade, último lançamento dela publicado no Brasil.

Avaliação (de 1 a 5):

Harlan Coben – Não conte a ninguém

Amei. Amei. Amei!

Durante esta semana eu estava passando por um momento muito crítico quanto à literatura. Eu não conseguia ler nada. Todos os livros que eu pegava acabavam sendo descartados após vinte páginas. Via defeito em tudo: não gostava da história, da narração, dos personagens, de nada. Vocês devem imaginar como é difícil para uma pessoa como eu, acostumada a ter sempre um livrinho na bolsa para todas as ocasiões ociosas, não conseguir ler. Não sei se era falta de motivação (embora seja difícil porque eu queria mesmo ler), ataque de nervos ou simplesmente eu estava mais crítica em relação à produção literária, mas o fato é que essa abstinência estava me deixando louca.

Foi então que eu vi na minha estante “piscando para mim” este livro de Harlan Coben. Eu já havia lido Cilada e tinha amado, então pensei, por que não? Afinal, já tinha tentado de tudo e nada me motivava a ler. Comecei despretensiosamente e para minha surpresa, após apenas três páginas eu estava fisgada. Não consegui parar. Li no ônibus indo para o trabalho, no horário de almoço, no ônibus da volta e quando cheguei em casa, tinha terminado. Que emoção. E que livro ótimo. O autor confirmou tudo que eu já pensava sobre ele tendo lido apenas uma obra. Que é genial, criativo, envolvente, emocionante, misterioso e cheio de suspense. Sua narrativa é fluida, de fácil compreensão e recheada de ação e suspeitas do início ao fim. O que estava faltando nos outros livros era me prenderem logo no início, adoro tramas que me cativam de imediato!

“Não conte a ninguém” é um romance policial de cinco estrelas para mais. Logo no começo, conhecemos o Dr. David Back e sua esposa Elizabeth, que voltam todo ano ao local de seu primeiro beijo para fazer uma marca na árvore próxima ao lago aonde começaram a sua história (sério, que romântico)! Porém o que eles não esperavam era serem atacados por um serial killer, que fere David e leva Elizabeth embora. Três dias depois, seu corpo é encontrado com diversos sinais de violência e com a letra K marcada a ferro no rosto (marca registrada do assassino). Oito anos se passam e o valente Dr. Beck ainda não consegue levar adiante sua vida sem sua amada. Porém, no dia do aniversário do primeiro beijo, ele recebe um estranho e-mail que pode por a prova sua convicção nos fatos daquele dia macabro. De repente sua certeza de que a mulher está morta começa a ruir e ele entrará numa corrida contra o tempo para provar a polícia que não matou Elizabeth.

Nada disso que eu escrevi é spoiler hein, está tudo na sinopse. O enredo é de tirar o fôlego, a cada nova página uma revelação, um personagem secundário que se mostra muito importante e uma pista para compor um intrigante quebra-cabeça montado por Coben. Não dá para dizer mais muito sobre a história porque a graça de todo o livro está no suspense e no mistério. Só posso recomendar muitíssimo que leiam alguma obra deste autor e se surpreendam com a qualidade de sua escrita.

Avaliação (de 1 a 5):

Harlan Coben – Cilada

Cilada é o primeiro livro que leio de Harlan Coben e quase me fez sair correndo para a livraria comprar os demais livros do autor lançados por aqui (o que me impediu foi única e exclusivamente a falta de dinheiro e o meu namorado que pega no meu pé quando gasto demais com leitura).

Sempre fui fã de livros policiais, e Coben é um maravilhoso exemplo deste tipo de literatura. Sua escrita é envolvente, viciante e a trama consegue ser bem amarrada de um jeito único. Nada de pontas soltas ou de se perguntar quem fez ou não tal coisa. É tudo explicado divinamente e de forma leve.

A estória começa com Dan Mercer, assistente social, que recebe um telefonema de uma adolescente pedindo ajuda. Ele vai até uma casa onde é surpreendido por uma equipe de TV de um programa sensacionalista que afirma que ele é um pedófilo que foi até lá para ter relações com uma menor de idade. Ele acabe sendo inocentado por falta de provas, mas é morto logo em seguida.

Além disso, temos a estória de Haley McWaid de 17 anos. Uma aluna exemplar que não volta para casa em certa noite e está desaparecida há três meses sem pista alguma sobre seu paradeiro.

E na junção destas duas tramas está Wendy Tynes, a repórter que armou a cilada para Dan, mas que desconfia que ele fosse inocente. A partir de uma série de pistas ela vai investigar a fundo para descobrir a verdade.

Como disse, o enredo se completa de forma divina, o enlace das duas estórias foi muito bem feito e cada página era uma nova surpresa. Os personagens mais odiados podem vir a ser os mais amados e vice versa, tudo pode mudar até a última página.

E o mais incrível é que mesmo lidando com uma estória de conteúdos pesados o autor consegue dar um final maravilhoso, surpreendente e feliz ao livro!

Já tenho aqui em casa “Não conte a ninguém” para ler e pretendo adquirir mais livros de Coben assim que possível (dica: eles estavam em promoção na Saraiva por R$ 19,90 da ultima vez que estive lá no encontro de blogueiros da ID).  Leiam!!!

Avaliação (de 1 a 5):