Carol Sabar – Como (quase) namorei Robert Pattinson

Antes de começar a resenha, tenho duas considerações a fazer. A primeira é bem simples: eu gostei desse livro. A segunda é um pouco mais complexa: tenho visto muitos casos de resenhas a respeito de livros brasileiros que, como irei dizer, suavizam todos os erros, problemas ou aspectos negativos da obra em questão. Eu concordo que devemos apoiar os escritores nacionais, que eles têm menos incentivo para publicação, que as editoras não revisam tão bem, etc. Porém, em primeiro lugar vem o compromisso que todo resenhista tem com vocês, leitores, de escrever com sinceridade a sua opinião sobre qualquer livro. Isso independe de nacionalidade, gênero, ou qualquer outro fator e fico muito triste quando vejo tantos casos de blogueiros sendo desrespeitados por dar sua simples opinião.

Como podem ver, refleti bastante sobre o assunto antes de vir aqui escrever essa resenha. E isso tem um motivo, claro. Estou lendo tantos comentários maravilhosos, derramados em elogios sobre a perfeição desta obra de Carol Sabar, que fiquei bastante preocupada quando percebi que tudo que eu precisava e pretendo dizer aqui pode vir a ser mal interpretado. Mas enfim, não há nada que eu possa fazer além de escrever o que achei do livro.

Como (quase) namorei Robert Pattinson é um livro que eu não leria em um primeiro momento. O título me remeteu àqueles livros que embarcam na onda de grandes sucessos e que não tem nenhuma história nova para contar. Porém, depois de ver uma mobilização tão grande da blogsfera, tantos elogios e conhecer a sinopse e do que se tratava a história, fiquei bastante empolgada para lê-lo.

Essa é a história de Duda, uma jovem de 19 anos que é super fã da saga Crepúsculo. Ela é, como se autodenomina, uma Crepuscólica, que vive e respira para essa história de vampiros. Infelizmente, ela acaba deixando de lado a vida real por causa disso. Quase não sai com seus amigos e não namora porque nenhum cara que conhece pode chegar aos pés da perfeição do Sr. Robert Cullen ou Edward Pattinson.

Isso é uma coisa que começou a me incomodar logo no início do livro, Duda mistura o personagem divinamente construído por Stephenie Meyer com o ator de Holliwood que, na minha singela opinião, não tem nem ¼ da beleza e maravilhosidade do Edward no papel.

Não há como negar que a protagonista é muito engraçada e torna a trama super divertida e até hilária em certos pontos. Duda é muito fanática e tem diversos diálogos internos surpreendentes. Um exemplo de sua mente fértil é o capítulo inicial do livro, em que ela está em uma praia deserta, com Robert Pattinson passando bronzeador em suas pernas e uma “caipirosca de limão geladinha” ao lado.

O livro segue contanto sobre o intercâmbio de Duda, sua irmã e mais duas amigas, que moram juntas e vão passar uma temporada em Nova York para estudar inglês. Lá ela acaba fazendo novos amigos, e entre ele está o fofíssimo Pablo. Ele é um amor de pessoa, um gato e disposto a tudo para conquistar o coração de Duda. Mas não importa o quanto ele se esforce, ela só pensa no personagem-ator de Crepúsculo.

E assim que ela conhece seu vizinho e descobre que mora ao lado de um sósia praticamente idêntico à RP, toda a razão vai por água a baixo e ela só pensa em Miguel, Miguel, Miguel.

Apesar de estar na cara que tem algo errado com o gato, possuidor de um Volvo prata, devo dizer, Eduarda não se importa nem um pouco. Deixa de lado Pablo e as amigas e só se preocupa mesmo em encontra-lo (pois ele está sempre fora) e em estar em sua companhia.

Logicamente essa fissuração garante boas risadas ao leitor e muitas situações divertidas. Duda é daquelas personagens que sempre mete os pés pelas mãos! E como o livro é bem extenso, podem contar com várias reviravoltas, surpresas e fortes emoções.

Isso é um quesito que poderia ter sido melhorado no livro. Achei que ficamos muito tempo dentro da cabeça de Duda, acompanhando suas ideias mirabolantes. Por vezes virei umas oito páginas e não saía das divagações dela, o que tornou a narrativa extremamente maçante nesses pontos. E como não sou do tipo paciente que aguenta várias reflexões que não levarão a lugar nenhum, lá vai a Adriana fazer uma leitura dinâmica (só correndo os olhos por cima do texto até chegar em algum diálogo).

O outro ponto que eu mudaria trata-se da história em si. Acho que a Carol quis fazer um contraponto entre Edward – Miguel e Pablo – Jacob. Entretanto não acho que isso tenha funcionado e não conseguiu me convencer nem um pouquinho. Eu, sinceramente, não consegui entender e muito menos gostar do final.

Achei que ficou tudo muito sem sentido nos últimos capítulos, como se as cenas e acontecimentos fossem jogados no livro sem propósito. Não sei se conseguirei me expressar claramente, mas senti como se a trama tivesse se perdido no meio de tanta enrolação e problemas apresentados. É raríssimo eu conseguir perceber esse tipo de coisa, tanto que minhas avaliações sempre puxam pro lado do positivo neste tipo de gênero literário. Mas não tem como eu não falar francamente aqui se terminei o livro com essa opinião gritanto em minha mente.

Isso não quer dizer que eu não tenha gostado do livro, volto a dizer. Foi uma leitura muito gostosa e leve, mas não conseguiu passar de um bom na minha humilde avaliação.

Não posso deixar de dar os parabéns à Editora Jangada pela capa e projeto gráfico do livro, que ficou uma beleza. Não consegui encontrar muitos erros durante a leitura e as páginas são amarelas com letras bem agradáveis ao leitor (nada daquelas letras miudinhas). Também preciso dar os parabéns à autora, que conseguiu lançar um livro totalmente inovador no gênero e que demonstra muito talento da parte dela. Apesar de não ter amado o livro, ficou claro que Carol Sabar pode lançar muitas obras de sucesso ainda, pois tem o dom de escrever bem um estilo bastante difícil e disputado, o chick-lit.

Considerações a parte, só me resta recomendar a obra aos amantes do gênero e a todos que estão na dúvida e desejem tirar suas próprias conclusões.

Avaliação (de 1 a 5):

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Bianca Briones – Entre o Amor e a Amizade

Sabe aquele livro mágico e maravilhoso, que te transporta para dentro da trama e não te deixa largar em momento algum? Pois é, este é Entre o Amor e a Amizade. Sei que estou ficando repetitiva, mas é muito difícil encontrar as palavras certas para a beleza dos romances que leio. E este foi ainda mais especial, pela história tão linda e cativante, narrada de forma singular e bela por Bianca Briones.

Já falei de como amei Perdida, Fazendo meu Filme, Minha vida Fora de Série, Todas as Estrelas do Céu e Sábado à Noite, só para citar alguns nacionais aqui. E este não foi a exceção. Não é protecionismo nem simples exaltação à livros brasileiros, mas realmente vejo muita qualidade e talento, muito mais do que em livros estrangeiros.

Esta obra é um romance, como o título já pode lhe avisar de cara. Mas o que ela não diz é como você irá se emocionar, rir e chorar, se encantar com os personagens da autora e entrar de cabeça na vida deles.

A história de Viviane e Rafael é uma em mil. É aquele tipo de relação que toda garota sonha em ter, com cumplicidade, afeto, carinho e amor. O que começa com um contato em momento de muita dor e sofrimento para ambos logo se transforma em uma profunda e sincera amizade.

Uma das coisas que mais gostei foram a linguagem direta, a inserção de muitos elementos conhecidos da nossa geração, filmes, músicas, seriados, baladas, enfim. É ótimo ter a sensação clara e real de conhecer e, de certa forma, pertencer à trama. Fica difícil explicar com palavras, mas lendo você vai sentir o que digo.

Tive raiva dos personagens inúmeras vezes, mas também ri muito das piadas internas de Rodrigo e me apaixonei a sinceridade e amizade de Camila e Lucas. Os personagens são muito bem abordados, todos extremamente verossímeis e realistas. Anseio desenfreadamente pelo próximo título da autora, que com certeza terá de reservar meu exemplar!!!

Recentemente em seu blog, o Redoma de Cristal, Bianca divulgou que seu próximo livro terá como enfoque a história de Rodrigo, irmão de Viviane, o que me deixou MUITO empolgada. Perguntei a ela no Twitter se teríamos mais do Rafa e da Vivi e ela disse que sim ô/ então mal posso esperar.

Outro ponto importante a ressaltar é a belíssima capa e a ótima edição da editora Lexia, que conta com poucos erros de revisão, o que me agradou demais. No mais, só me resta recomendar mais este livro ÓTIMO, perfeito para as românticas incuráveis e para todos os amantes de YA books!

Avaliação (de 1 a 5):

Marcelo Antônio da Cunha – No Olho da Rua

No olho da rua é um relato chocante, porém verdadeiro, dobre o descaso com os moradores de rua no Brasil. O autor nos traz a sua fascinante experiência como diretor da Fazenda Modelo, um dos maiores abrigos de mendigos do mundo. Antes de mais nada tenho que agradece a minha querida mãezinha, que indicou e emprestou o livro. Se existem alguém a quem em devo toda a minha gratidão pelo amor aos livros, este alguém é ela.

Para que vocês entendam, até alguns anos atrás a prefeitura do Rio de Janeiro não permitia que os cidadãos ficassem perambulando pelas ruas. Existia um ônibus, o “cata-tralha” ou “mendigão” que passava pela cidade todos os dias recolhendo os indigentes e arrebanhando-os em um só local: uma fazenda afastada dos olhares dos turistas e de todos que não gostavam da visão da miséria em suas calçadas e semáforos.

É muito triste ler sobre tanta degradação humana, Marcelo Antônio da Cunha nos mostra a todo o momento em quanto se assemelhavam as condições daquelas pessoas com os antigos escravos. Muitas vezes pessoas com família e casa eram levadas por engano e acabavam não saindo mais do abrigo.

Em detalhes a narrativa nos leva pelas histórias de cada uma daquelas pessoas. Gente como nós, gente que sofreu muito na vida, gente que foi abusada de todas as formas possíveis, acabando por se esquecer do que é ser gente.

Se você não gosta da realidade nua e crua e não quer se sentir como se tivesse levado uma bofetada na cara não leia. Isso porque não tem como não se sentir culpado depois de ler, pensando em como somos omissos com estes seres humanos, iguaizinhos a nós, que foram e continuarão sendo ignorados pela sociedade.

É claro que existem os “boa vida”, os que não querem trabalhar, e o autor fala muito sobre eles também. Mas o questionamento principal é como puderam deixar uma situação tão inumana quanto a da Fazenda Modelo ir tão longe.

A capacidade do autor de conviver e tentar saber mais sobre os homens e mulheres de rua também me espantou. Ao assumir o cargo de diretor ele se propôs, de verdade, a acabar com aquele lugar. O objetivo era que as pessoas, mesmo sem ter um teto, pudessem ao menos ter a única coisa que ainda lhes restava nesta vida tão pobre e singela: a liberdade.

Este foi um livro difícil de ler por todos estes aspectos, mas também muito tocante e elucidativo. Existiam tantas coisas sobre este mundo dos mendigos que eu nem imaginava e aprendi com esta obra. Acho que esta é a maior vitória que No Olho da Rua pode ter, levar para o resto da população um pouco que seja de conhecimento sobre estas pessoas que vivem apenas no anonimato.

Avaliação (de 1 a 5):

Babi Dewet – Sábado à Noite

Este livro estava na minha wish list há muuuito tempo. Desde o ano passado queria lê-lo e coloquei-o na meta de leitura deste ano. E com o final de 2011 se aproximando cada vez mais rápido, já estava preocupada com a possibilidade de não atingir minha meta.

Esta é uma publicação independente da autora e blogueria nacional Babi Dewet. A maioria já deve ter ouvido falar nela, ou mesmo acessado seu blog (que é super legal, a propósito)! E Sábado à Noite é seu romance de estréia, uma obra promissora, com um estilo bem do jeitinho que eu gosto.

Este livro é um YA book sobre aquele velho tema: conflitos escolares, nerds versus populares, adolescentes e suas relações amorosas. Aqui temos vários personagens interessantes: as meninas, lindas e populares e os garotos, lindos e marotos, a margem da “comunidade escolar”.

Nesse contexto conhecemos Amanda. Ela é a melhor amiga de infância de Bruno, e mesmo que os dois vivam em rodas sociais totalmente diferentes, ainda nutrem a amizade de outros tempos. Para Bruno é triste ver a amiga abandonar o convívio intenso que eles tinham para fazer amizade com outras pessoas, melhores e mais interessantes. Mas se você achou que a história é sobre o amor de Bruno por Amanda, se enganou redondamente.

Daniel é o melhor amigo de Bruno, e faz parte da turma dos marotos também. Ele é apaixonado por Amanda desde muito cedo. E essa paixão, na verdade, é correspondida, só que ele não sabe disso.

Amanda não pode ficar com seu amor porque acredita que Guiga, uma de suas melhores amigas, é apaixonada por ele. Só que para Guiga o menino já é passado, e ela anda de olho em Fred, um maroto. Ela esconde isso das amigas por medo de rejeição, já que o garoto não estaria “a sua altura”. Por isso, Amanda ainda crê que Guiga é apaixonada por Daniel.

Já Bruno, apesar de haver terminado seu relacionamento conturbado com Carol, outra menina popular do grupinho, vive trocando farpas com a ela. Será que esse rancor todo é mesmo ressentimento ou algum outro sentimento não esquecido?

E bem no meio de toda essa confusão, o diretor do colégio onde eles estudam decide criar os bailes de sábado à noite, uma forma de integrar os alunos. Nestes bailes Amanda e suas amigas vão conhecer uma banda de mascarados Scotty forever ❤ que toca músicas falando diretamente ao coração dos apaixonados. Quem são eles? E como sabem tanto dos sentimentos das garotas?

A trama gira em torno de todos os dramas amorosos destes e outros personagens, como Caio e Anna. Como eu adoro este tipo de história, nem preciso dizer que amei né?! Amanda e suas amigas foram muito fúteis em vários momentos, a autora soube expressar muito bem como são as intrigas de escola e etc. Me lembrei um pouco de FMF enquanto lia, é uma história parecida, com situações diferentes.

Impossível não sentir raiva da protagonista no final, nem se emocionar com as cenas muitíssimo fofas de Daniel & Amanda. Eu amei o casal logo de cara e torci muito por eles. Apesar disso, acho que foi merecido o desfecho só quem já leu vai entender.

Outra coisa a ser comentada é a capa, muito muito linda. Quando o livro chegou fiquei uma boa meia hora só admirando 🙂

O livro é bem diagramado e graficado, me surpreendeu até, porque não esperava tanto de uma produção independente. Achei que o livro continha bem poucos erros, ainda mais se formos contar que não havia nenhuma editora para revisá-lo antes. O meu veio autografado e com um lindo marcador, então fica a dica, na hora da compra você pode pedir o autógrafo e ser mimado também!

Só me resta dar os parabéns à Babi, primeiro pelo talento e capacidade de nos entregar esta história linda. E segundo pela coragem e determinação de seguir em frente e publicar sua história a todo custo. Essa obra e o sucesso que ela vem fazendo são maior prova de que todo esforço de correr atrás do seu sonho vale a pena.

Eu recomendo muito SAN. Você pode conhecer mais sobre ele AQUI. A história é divertida, a narrativa muito boa e a correlação com música torna tudo fantástico. Me apaixonei pelas canções da Scotty e tenho certeza de que vocês também irão! Leiam!!!

Avaliação (de 1 a 5):

Enderson Rafael – Todas as Estrelas do Céu

Este é um livro nacional que eu desejava fazia muito tempo. Fiquei super curiosa depois de ler uma resenha ótima da Camila, no Leitora Compulsiva. A partir daí, li muito mais sobre a obra e também sobre o autor, que a escreveu quando tinha apenas 19 anos.

O difícil foi a aquisição do livro, que eu queria conseguir por uma troca no Skoob. Deixem eu dizer uma coisa, o pessoal por lá anda muito ganancioso! Sempre havia exemplares disponíveis, mas todos a dois créditos. Não digo que o livro não valha isso, mas é uma obra com poucas páginas, que não custa muito para enviar e que não custa tão caro assim para comprar nova! Mas enfim, com sorte consegui um exemplar novo por um crédito e tudo se resolveu 🙂

Tenho uma coisa importante pra dizer: o livro é lindo! A edição e a capa são super bem feitas, muito bem graficadas e com ótimas ilustrações em cada página e no início dos capítulos. Foi amor a primeira vista!

Sobre a história, eu confesso, me apaixonei! Sou uma romântica incurável, e a história de dois amantes separados pelas circunstâncias do destino sempre mexe comigo. O livro me lembrou bastante a tragédia de Shakespeare, Romeo e Julieta. Não que Carol e Leandro, os protagonistas, sejam de famílias inimigas. Muito pelo contrário, o problema deles é serem da mesma família: serem irmãos!

Calma! Antes de vocês se assustarem, deixo claro que eles não são irmãos de sangue! Leandro é adotado. Mesmo assim, o que importa realmente na trama e cria todo o dilema moral é que a criação dada aos dois sempre foi de irmãos. Eles se viram desde crianças como tal, até que cresceram e amadureceram, percebendo que se amavam.

Só que este é um amor fadado ao desastre, porque a sociedade em geral rejeita este tipo de relacionamento. E este é o mote central da trama, como lidar com uma situação destas? Será que o amor pode vencer a todas as barreiras, até mesmo as impostas por aqueles que amamos?

A forma como Enderson Rafael conduz a obra é muito leve e extasiante. Com uma linguagem muito mais simples e acessível do que a que estou acostumada, o autor consegue dar a narrativa um clima mais jovial. Adorei ler algo com tantas referências à cultura brasileira, os programas de TV que assistimos, nossos hábitos e costumes, tudo que geralmente acompanhamos meio “de fora” nas obras estrangeiras. Assim podemos nos identificar com os lugares e situações vividas no livro.

Eu, que sou do sul, simplesmente amei a alusão ao sotaque dos “manezinhos da ilha” de Santa Catarina, porque com certeza quem é de Floripa tem um jeito todo especial de se expressar, quem já foi pra lá vai me entender. Também achei muito legais as confusões de todo mundo com Petrópolis e Teresópolis, eu não saberia distinguir um do outro, até porque não conheço nada do Rio de Janeiro. Mas enfim, o que eu quero dizer é que é sempre ótimo poder ler algo em que podemos nos reconhecer.

É um livro que recomendo com certeza, uma obra em que você vai sorrir e chorar! Todas as Estrelas do Céu tem poucas páginas, 155 apenas. Mas nelas cabe uma história de valor inestimável: uma história de amor! Leiam.

Avaliação (de 1 a 5):

Raphael Draccon – Dragões do Éter: Caçadores de Bruxas

Este livro é um épico. Recheada com uma narrativa rica, bela e criativa, esta obra nos surpreende pelo misto de complexidade e simplicidade que o autor conseguiu colocar em uma mesma trama. Pense nos contos de fada, nossos velhos conhecidos de infância. Agora pare e reflita sobre essas estórias, seus personagens e tente pensar em como eles chegaram até o lugar onde a sua fábula se desenrola. Quem eles são, como vivem? Estas perguntas, segundo o próprio autor, foram o que o levou a construção do mundo mágico chamado Nova Ether.

É com muito prazer que hoje resenho uma obra nacional grandiosa, que merece ser lida e conhecida por todo o leitor que deseja um livro diferente, emocionante, empolgante, com uma narrativa única, singular e que transmite todo o tempo que Raphael Draccon deve ter passado em aulas de escrita criativa.

Já aviso de início, leia sem preconceitos, com a mente aberta a uma nova forma de ler estórias, porque a forma com que o autor descreve a sua trama é totalmente diferente de tudo que eu já havia lido. Confesso que o início me deixou preocupada. Ele é mais lento e vagaroso, uma parte introdutória a real história que se desenrolará ao longo das páginas. Mas vamos a história.

E um. E dois.

E três.

Ariane Narin é uma jovem que teve uma trágica experiência quando criança. Ela viu sua avó ser devorada por um lobo e foi salva por um caçador. Até hoje o povo de Nova Ether a conhece pela cor do chapéu que ela usava no dia do incidente. João e Maria Hanson são dois irmãos que também tiveram um acontecimento terrível em sua infância, uma bruxa lhes trancou em uma casa de doces e quase os matou.

O que tem em comum estas duas histórias, além de crianças que tiveram más experiências? Isso é o que Primo Branford, rei de Arzallum, deveria ter averiguado com mais cuidado. Prestando atenção nestes fatos isolados, que ocorreram após a grande Caçada das Bruxas promovida por ele para a salvação do reino, ele teria evitado o que ocorreu na época em que lemos esta estória. Mas dando uma de narrador que dá opinião, se ele tivesse feito isso, eu não poderia estar escrevendo esta resenha porque não haveria livro para que eu lesse!

E o que é que ocorreem Nova Etherna época deste conto? Isso você só vai descobrir lendo este livro maravilhoso, repleto de encanto e magia. Nele tudo pode acontecer, príncipes se encantam com plebeias, anões e trolls propõe tréguas pelo bem maior, piratas se unem a bruxas e Reis descobrem que não são tão inatingíveis, nem O Maior de Todos os Reis. Mas estes são fatos que devemos ler para compreender.

Não sei bem como explicar sobre o que exatamente se trata a história, pois ela se trata de muitas coisas ao mesmo tempo. O autor enlaça vários pequenos trechos que começam a fazer sentido apenas depois de algum tempo e te deixam na maior expectativa pelo desfecho. Isso torna a leitura instigante e me via durante o dia, no trabalho, remoendo os acontecimentos e ansiando a hora de retomar a estória para descobrir o desfecho de determinada situação!

A capa é linda e eu adorei o acabamento do livro, minha única ressalva é que no final do livro haviam várias páginas repetidas misturadas com as outras, o que tornou a compreensão de um dos capítulos bem difícil. Mas apesar disto, eu amei esta leitura e recomendo a todos. Parabéns à Raphael Draccon por ser um ótimo escritor, que faz sucesso mesmo em um país onde seus autores são muito pouco reconhecidos e tem pouco incentivo. No mais, leiam e me contem se gostaram ou não! Eu sei é que estou com grandes expectativas para Corações de Neve (segundo volume da trilogia), que segundo resenhas no Skoob, é melhor ainda que o primeiro!

Avaliação (de 1 a 5):

Carina Rissi – Perdida

Nem sei como começar esta resenha porque ainda estou sem palavras para descrever a PERFEIÇÃO deste livro!!! Tem tudo que eu amo e muito mais: romance, aventura, mistério e muuuito humor também. Carina Rissi me provou definitivamente (porque depois de ler Paula Pimenta eu já sabia disso) que os autores nacionais podem dar de dez a zero em muito escritor estrangeiro por aí. Enquanto eu lia, nem percebi que era um livro nacional, me senti da mesma forma que me sinto quando leio Meg Cabot, Sophie Kinsella, Richelle Mead, ou até melhor!

A história é perfeita, não tem um errinho que eu possa apontar! É o terceiro livro que leio sobre o tema viagens no tempo e posso afirmar que todos são maravilhosos (aliás, cheguei à conclusão que se um dia eu vier a escrever um livro será com este assunto, pois pelo visto não tem como o resultado não ser magnífico)! Se preparem para uma resenha recheada de elogios escandalosos e muito mais que merecidos. Eu sempre tive o pé atrás com a literatura nacional, mas depois desta obra não tem como ficar embasbacada com o talento da autora e desejar gritar pra todo o mundo: comprem este livro já!!!

Tudo começa quando Sofia derruba seu celular na privada em um barzinho. Só com esta cena eu já rolei de rir porque isso já aconteceu comigo também (tudo bem, eu não estava em um barzinho, mas perdi meu celular desta forma desagradável)! No outro dia, ela parte em busca de um novo aparelho, dos mais modernos, com tudo que tem direito. Ela acaba entrando em uma loja muito suspeita e sendo atendida por uma vendedora mais suspeita ainda. Porém, como o aparelho que ela estava lhe oferecendo era tudo que ela queria, Sofia não pensa duas vezes e compra na hora.

Voltando para casa, ela não resiste e começa a fuçar no aparelho, só que ele não liga. Com muita raiva da vendedora, ela começa a voltar para loja, até que o telefone emite uma luz. Sofia pensa que esta tudo bem então, que vai ir pra casa com seu telefone novinho, ouvir muitas músicas, ler seus romances água com açúcar como sempre faz e fugir de um marido (tudo na mesma). Doce engano! A luz do celular fica cada vez mais forte e, do nada, tipo do nada meeesmo, ela se vê em um campo aberto, caída em cima de uma rocha.

Você, assim como ela, deve estar pensando que a garota tem um parafuso a menos, que a ressaca do dia anterior deve estar provocando visões etc. e tal. Só que não é nada disso! Sofia está perdida em um século passado, deveras distante do seu tempo. Só isso já serviria para provocar o surto de qualquer garota não é?! Mas um jovem rapaz bonitão e muito cavalheiro aparece para ajudá-la. Ele oferece hospedagem e roupas (porque as dela eram um top e uma saia jeans um tanto curta).

Até aí a trama parece clichê. Mas o melhor deste livro é a forma com que Carina Rissi criou a protagonista. Para ela não está tudo bem ter viajado no tempo. Ela não busca se adaptar, nem nada disso. Muito pelo contrário, ela sofre muito com as diferenças culturais e físicas que existem. Sério, passei mal de tanto rir no capítulo dedicado à “casinha”. Minha mãe até foi no quarto ver se eu estava bem, porque não parava de chorar de rir!!!

A personagem é carismática, sem papas na língua e muito engraçada! Seus dramas me comoveram e emocionaram. Isso sem contar no mocinho fantástico da trama. Ian é bonito, inteligente e com uma mente aberta para  novas idéias (até porque, não aturaria Sofia sem essas qualidades). Os personagens secundários também são fabulosos, tanto os do tempo presente quanto os de dois séculos atrás.

Nem dá pra começar a contar o quanto eu gostei do desfecho, de como o enredo da uma virada atrás da outra de modo à sempre prender mais e mais a atenção do leitor. Me impressionei com o tamanho do livro. São quase 500 páginas de pura magia, mas se pudesse estenderia para umas 1000!!! Esta é realmente a história de “um amor que ultrapassa as barreiras do tempo”. Altamente recomendado, mas cuidado, esta obra não deve ser lida em lugares públicos para evitar maiores constrangimentos. E atenção, o perigo de se viciar é enoorme!!!

Avaliação (de1 a 5):

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